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Histórico

A Doutrina Espírita teve admiradores e adeptos no Espírito Santo, desde a sua primeira hora, embora sejam escassos os dados oficiais que nos permitam traçar-lhe um histórico fidedigno.Segundo estudos realizados por Dr. Eufrásio Inácio da Silva (A Senda, setembro/53), data de 1902 a formação dos primeiros núcleos espíritas capixabas.

Em 1904, já havia sociedades organizadas, tanto que, a convite da FEB, o Espírito Santo se fez representar no Distrito Federal, nas festas comemorativas do centenário de Allan Kardec. A exemplo das demais unidades federativas, os primeiros centros espíritas capixabas nasceram em núcleos familiares espalhados pelos municípios, e os seus dirigentes eram, quase sempre, os próprios chefes das residências, onde os núcleos funcionavam.

Na primeira década do nosso movimento, surgiram os primeiros Centros Espíritas no sul do Estado, destacando-se a luta pioneira de Jeronymo Ribeiro, em Cachoeiro de Itapemirim que, a 15/04/1913, fundou a "Associação Espírita Beneficente e Instrutiva", a "Liga Contra o Analfabetismo" e o asilo "Deus, Cristo e Caridade" (hoje, "Lar Jeronymo Ribeiro"), dando-lhes sedes próprias, conseguidas a custo de donativos da população.

Na capital, em 21/03/1921, surgiu a Liga Espírita de Vitória, em reunião realizada na casa número 11, da rua Duque de Caxias, com a participação de 56 companheiros presentes à Assembléia Geral. Além da fundação da Liga, ficou deliberada a circulação do jornal "A Senda", órgão oficial da instituição, que teve sua circulação paralisada por duas vezes desde a sua criação, voltando a circular novamente, em sua quarta fase, em 15/04/2001. O Centro Espírita "Henrique José de Mello", foi o primeiro centro espírita de Vitória (02/11/1922). Aderiram a esse grupo cerca de 100 associados, sob a presidência do Capitão Francisco de Paula Pacheco.

Em reunião realizada a 24/07/1924, a Assembléia Geral da Liga Espírita de Vitória decidiu denominá-la Federação Espírita do Estado do Espírito Santo, a partir da orientação da Federação Espírita Brasileira, com grande insistência dos confrades Leopoldo Machado e Manoel Quintão. Em 1935, após sua filiação a FEB (1923), esse ato foi retificado pela adesão sob número 14. A partir de então, a FEEES assumiu seu papel de órgão federativo, convocando todas as associações e grupos espíritas capixabas, para que se filiassem a Instituição e unissem os seus esforços em prol de um mesmo ideal. Ampliou-se, assim, a fundação de instituições no âmbito estadual.

Criação dos Centros Espíritas

De 1923 a 1930, cerca de 10 centros espíritas foram criados no sul do estado e na Capital. De 1931 a 1940, mais onze instituições espíritas se organizaram e se filiaram a FEEES. Nos anos subseqüentes, outras dezenas de companheiros, incentivados por esses exemplos, organizaram-se e, fiéis a Doutrina e ao ideal de servir ao próximo, criaram novos Centros Espíritas.

No norte do estado, em Colatina, por volta de 1938, havia um grupo familiar de que participavam Pedro Rodrigues Frade, José Furtado Rangel, José Assumpção de Carvalho e Neiobi Augusto Matos, que deu origem, em 1941, ao Centro Espírita "Amor, Renúncia e Trabalho", mais tarde denominado "Deus, Amor, Caridade". Mas foi com a chegada a cidade de Fenelon Barbosa e sua esposa D. áurea (1950), que o movimento ganhou dinamismo e foi criado, em 1953, o Centro Espírita Alexandre Drumond.

Cumpre destacar o denodado esforço de Antonio Lugon à frente da FEEES. Dr. Lugon está para o movimento espírita capixaba, como Wantuil de Freitas para o movimento espírita brasileiro, na luta incessante de apoio as instituições nascentes.

O Estado do Espírito Santo, no período em que era Presidente da FEEES o companheiro Gélio Lacerda, foi dividido em Uniões Regionais Espíritas (URE), cada URE tinha o objetivo de agrupar as sociedades unificadas localizadas na área de sua jurisdição. A partir da reforma do estatuto, em 2002, as Uniões Regionais foram transformadas em Conselhos Regionais Espíritas (CRE).

Reconhecida de utilidade pública pela Lei Estadual de no 1.649, de 20/11/1961, e registrada no Conselho Nacional de Serviço Social sob no 58.825/59, tendo personalidade jurídica adquirida em 1954, a FEEES tem recebido a colaboração e o reconhecimento públicos.

Desde a sua fundação, em 1921, até nossos dias, foram os seguintes os seus presidentes:

 

Presidentes

Período
Responsável
1921

Comissão Diretora: Euticiano da Silva Quintaes, Argeo Moraes de Sá, Eufrásio Ignácio da Silva

1921 - 1931
Eufrásio Ignácio da Silva
1932 - 1936
Eufrásio Ignácio da Silva
1937
Aristóteles Pedrinha de Carvalho
1938
Eufrásio Ignácio da Silva
1939
Aristóteles Pedrinha de Carvalho
1940
Eufrásio Ignácio da Silva
1941 - 1947
Areobaldo Lelis Horta
1949 - 1951
Dídimo de Moraes
1952 - 1980
Antônio Lugon
1980 - 1986
Gélio Lacerda da Silva
1986 - 1992
Alcino Pereira
1992 - 1995
Júlio Davi Archanjo
1995 - 2001
Marcelo Paes Barreto
2001 - 2006
Dalva Silva Souza
2007 até a presente data
Maria Lúcia Rezende Dias Farias
 

Ao longo desses anos, têm sido objetivos da FEEES:

* congregar, sob sistema federativo, as sociedades espíritas do Estado;

* estudar o Espiritismo e propagar ilimitadamente seus ensinamentos doutrinários por todos os meios que oferece a palavra escrita, falada e exemplificada;

* praticar a caridade espiritual, moral e material por todos os meios ao seu alcance.

Grande esforço, em consonância com a orientação do Conselho Federativo Nacional, órgão da FEB, tem sido desenvolvido no campo da unificação doutrinária e administrativa, procurando remover intromissões indébitas na prática da Doutrina Espírita. Na década de 90, adotando o lema Unir e Integrar, a FEEES envidou esforços para a consolidação de seus propósitos, destacando-se, entre outras ações:

* a dinamização da criação de casas espíritas no Estado;

* o soerguimento de casas espíritas desativadas por falta de colaboradores;

* o apoio a casas de orientação umbandista, norteando-lhes os rumos a luz da Doutrina Espírita;

* a agilização de novas adesões a FEEES;

* a criação da 6ª URE, desmembrando as casas pertencentes aos municípios de Vila Velha, Guarapari e Cariacica da 3ª URE, composta pelos Centros de Vitória;

* apoio a reconstrução de Centros carentes de recursos materiais para fazê-lo.

Pela ação de seus departamentos, a FEEES intensifica suas atividades, atendendo aos princípios de fraternidade e de liberdade, sem se afastar do estudo, da prática e da difusão da Doutrina Espírita, tendo como base as obras da Codificação.

Objetivos alcançados

Os resultados já despontam de forma muito positiva. Por intermédio de cada CRE, dirigentes de Casas Espíritas estaduais vêm participando ativamente de seminários, reuniões, encontros e congressos promovidos pela FEEES, para estudo, permuta de informações sobre suas atividades, necessidades, experiências e dificuldades. Assim, vêm encontrando soluções para seus problemas comuns, criando estímulos para novas iniciativas, aprimorando e ampliando suas realizações e formando equipes para tarefas conjuntas.

Ressalta-se nessa ação o destaque dado aos esforços para implantação do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, pelo qual os Centros Espíritas poderão propiciar aos seus freqüentadores um aprofundado conhecimento das obras da Codificação, gerando não apenas espíritas mais esclarecidos, como também trabalhadores mais conscientes e mais preparados para as tarefas da Doutrina.

Destacam-se, também, as atividades de Assistência Espiritual e Social, através das quais a FEEES se faz presente:

* na orientação segura fornecida aos Centros, no sentido de que essas ações sejam desenvolvidas dentro dos princípios da caridade, simplicidade e autenticidade que a Doutrina preconiza;

* na promoção de seminários e encontros, envolvendo representantes dos CRE e da comunidade;

* na participação reconhecida e ativa em colegiados e comissões criadas pelo poder público que tratam da promoção e atendimento social das comunidades carentes (Comissão de Co-Gestão Pró-Menor, em convênio com o IESBEM; Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente - CRIAD).

Cumpre ressaltar, também, a ênfase dada pela FEEES as atividades de Evangelização Espírita da Criança e do Jovem, visando o acesso das novas gerações aos princípios básicos do Espiritismo pela realização de cursos de preparação de evangelizadores na Capital e no interior e pelo apoio aos encontros de Mocidades Espíritas.

No campo da divulgação, destacamos as seguintes iniciativas da atual Diretoria Executiva da FEEES:

* relançamento do jornal "A Senda" em sua quarta fase, ano 80, em edição mensal, cujo primeiro número de relançamento ocorreu em 15/04/2001;

* reorganização e atualização da Biblioteca "Jacques Aboab", com sala de estudos franqueada aos Centros Espíritas e a comunidade em geral;

* funcionamento da Distribuidora de Livros, com vistas ao atendimento as instituições espíritas de todo o Estado;

* apoio a campanha de divulgação do Conhecimento da Doutrina Espírita, feita pela FEB, levada a efeito através de out-doors em exposição na cidade e de distribuição de folders, a fim de sensibilizar a população não espírita.

Dificuldades e união

A história do Espiritismo no Espírito Santo foi marcada por momentos de lutas, de dissidências internas e de muitos percalços, mas caminhamos hoje, com passos firmes, em direção a meta proposta pelo Codificador: desfraldar a bandeira do Espiritismo cristão e humanitário.

Alguns companheiros espíritas talvez ainda não tenham percebido a importância da FEEES, em seu trabalho de coordenação; talvez não tenham compreendido que coordenar não significa impor, que unificar não é uniformizar, mas estabelecer consensos e, respeitando as diferenças, trabalhar para alcançar objetivos comuns. Que os mais preparados, intelectual e moralmente, sejam os mais responsáveis na condução do movimento, em âmbito regional, estadual e nacional. A unificação do movimento é indispensável, uma vez que há que corresponder a unidade da Doutrina, sem embargo de suas abrangências e da nossa imperfeição humana.

A todo espírita compete transformar-se em agente da unificação, buscando, pelo ideal espírita, unir-se aos seus irmãos de crença, a fim de que juntos e em paz imprimamos ao movimento espírita métodos de ação cada vez mais eficazes para a propagação adequada do Espiritismo.

Unificar é fazer convergir as práticas espíritas para um mesmo fim, que é o da difusão fidedigna do Espiritismo. Os meios poderão variar, adaptando-se a tendências e concepções diversas, mas o objetivo é único em toda parte. A união dos adeptos em clima de legítima fraternidade cristã é a pedra de toque da unificação, uma vez que somente o amor, vivido segundo o Evangelho, é capaz de manter ininterrupta a conjugação de esforços em prol da Universalização da Doutrina Espírita.

Temos a certeza de que, com a ajuda do Alto, prevalecerá o ideal de união e de fraternidade expresso nas palavras dos mentores espirituais, sobretudo na palavra de Bezerra de Menezes, patrono da nossa FEEES, quando diz: "Unificação, sim. União, também. Imprescindível que nos unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos", (Reformador - fevereiro/1976). (fonte de pesquisa: www.febnet.org.br)