| |
Os Missionários
Jesus
de Nazaré esteve na Terra há mais de dois mil anos
atrás, deixando seu Evangelho como roteiro de iluminação
interior. Sua tarefa junto a nós, contudo, não se
resume àqueles poucos anos de sua pregação;
ao contrário, como responsável pela educação
dos Espíritos que habitam este mundo, enviou, em todos os
tempos e a todas as culturas, mensageiros com o propósito
de esclarecer e orientar os homens.
Dentre
esses emissários, destacou-se Moisés, incumbido de
dirigir o povo Hebreu nos primórdios de sua organização
social política, preparando o terreno, para que, mais tarde,
ele mesmo, Jesus, viesse trazer sua mensagem.
Moisés
consolidou a crença no Deus único (1ª revelação),
base sobre a qual Jesus edificaria seu ensino de que Deus é
Pai de todas as criaturas, ama-nos à todos igualmente e nos
reserva futuro glorioso de plenitude e paz (2ª revelação).
Seria
um grande erro, pois, pensarmos que a tarefa do Mestre se limitasse
àqueles tempos da Palestina.
Ele
esteve atento aos destinos humanos desde o princípio e sabia
que não seria fácil para os homens o caminho da evolução
espiritual, por isso prometeu que enviaria mais tarde um Consolador
(João, cap. XIV, vv. 15 à 17 e 26), para relembrar
o que Ele dissera e nos ensinar todas as coisas que não poderiam
ser entendidas naquele tempo. O Consolador prometido por ele seria,
pois, a 3ª revelação.
Espírito
de Verdade
Em
sua promessa, Jesus menciona o Espírito de Verdade que o
mundo não vê e não conhece, mas que viria para
estar eternamente entre nós. Analisando o texto da promessa,
percebemos que Jesus já antecipava os descaminhos do homem
em relação à mensagem que estava deixando.
Se alguém seria enviado, para lembrar coisas que Jesus dissera,
isso ocorreria, porque os homens teriam esquecido esses ensinos;
e se viria para ensinar todas as coisas, é porque Jesus não
pode ensinar tudo quando esteve aqui, por faltarem aos homens os
pré-requisitos para o entendimento mais profundo da realidade.
Se
o Consolador viria estar eternamente conosco, ele não poderia
se apresentar como um ser encarnado, porque o corpo físico
é perecível. Deduz-se, portanto, que o Espírito
de Verdade precisaria de outra maneira de estar conosco em um corpo
material.
A História
mostra que as religiões instituídas pelo homem com
base nos Evangelhos cometeram muitos desvios interpretativos e desenvolveram
ações que estão muito distantes da fraternidade
pregada por Jesus. Não precisamos lembrar aqui as guerras
religiosas e os tribunais da inquisição que derramaram
tanto sangue. O fato é que instituições tão
afastadas do roteiro traçado pelo Mestre não teriam
condições de receber o Consolador, motivo pelo qual
ele teria que aparecer nos cenários do mundo fora das igrejas
edificadas pelos homens.
Todo
esse raciocínio é importante para nos possibilitar
o reconhecimento de que a promessa de Jesus já foi cumprida
e o consolador está entre nós.
A Doutrina Espírita surgiu em 1857, na França. Apresentou-se
como ciência de observação do fenômeno
mediúnico e doutrina filosófica de cunho eminentemente
moral, que reconhece no Evangelho de Jesus o código mais
perfeito de ética, capaz de levar os homens à obtenção
das metas de espiritualização e vivência fraternal.
Hippolyte
Leon Denizard Rivail foi o codificador dessa doutrina, para cuja
elaboração concorreram muitos médiuns e uma
grande equipe de Espíritos, sob a supervisão de elevada
entidade espiritual que se identificou como Espírito de Verdade.
Estão
aí os elementos necessários à identificação
do Consolador. O Espírito de Verdade se manifesta pelos médiuns,
que existem em todas as culturas, em todos os tempos.
Se
um médium se desvia da rota, outros podem substituí-lo,
porque a mediunidade é potencialidade inerente ao homem,
por isso a mensagem que recupera os ensinos de Jesus e amplia nosso
conhecimento da realidade pode estar eternamente conosco.
Seria
necessário, todavia, um corpo de doutrina que nos preparasse
para exercer a mediunidade com esclarecimento e objetivos nobres,
facultando à humanidade os canais de comunicação
com a Espiritualidade Superior. Intercâmbio mediúnico
sempre ocorreu na história do homem, mas nem sempre com os
conhecimentos necessários para desvestir o fenômeno
do caráter sobrenatural ou mágico, que sempre interfere
na interpretação da realidade e cria núcleos
de sombra e poder.
A humildade
intelectual do professor Rivail, eminente pedagogo e humanista francês,
com várias obras já publicadas naquela época,
levou-o a adotar o pseudônimo Allan Kardec, ao publicar as
obras espíritas, a fim de que o publico não se confundisse
em relação à verdadeira autoria da Doutrina
esclarecedora que chegava ao mundo, para orientar e consolar as
criaturas. Em momento algum de sua exaustiva tarefa de codificar
e divulgar a Doutrina dos Espíritos, colocou-se Allan Kardec
orgulhosamente como autor de qualquer revelação divina
ou religião. Ao contrário posicionou seu trabalho
como mais uma pedra no edifício da espiritualização
do homem, convidando-nos a buscar pelo estudo e pela reflexão
o entendimento das verdades que se encontram na extensa fenomenologia
psíquica de todos os tempos.
Finalidade
das Religiões
O Espiritismo,
pois, não se posiciona contrariamente a qualquer religião,
mas se apresenta como o maior de seus auxiliares, uma vez que oferece
armas racionais à consolidação da fé.
A finalidade das religiões é levar o homem à
moralidade, e o conhecimento espírita contribui para que
essa finalidade seja atingida. A Doutrina Espírita nos ensina
a amar o meigo Rabi da Galiléia, induzindo-nos ao esforço
necessário para colocar em prática seus ensinamentos.
Mostra-nos Jesus, não como Deus, mas como um Espírito
da mais alta hierarquia e destaca o sentimento de amor que Ele demonstrou
pela humanidade, pois deixou os paramos luminosos em que vivia,
para trazer-nos a orientação quanto ao caminho que
precisamos trilhar, para alcançarmos também a plenitude
de ser.
Rejeitando
o dogma da divindade de Jesus, o Espiritismo nega apenas o que resultou
da elaboração de mentes humanas na composição
de uma teologia que expressa, nesse particular como em muitos outros,
uma posição contrária ao pensamento do próprio
Cristo.
Em
várias passagens dos Evangelhos, encontramos textos em que
Jesus afirma categoricamente não ser Deus, colocando-se como
um enviado do Altíssimo, a quem se subordina e de quem se
faz porta-voz.
Aos
que desejem ir diretamente à fonte, recomendamos a leitura
das seguintes passagens: João VIII, 42; João VII,
33; João IX, 48; João XII, 49 e 50; Mateus XXIV, 35
e 36.
O Cristianismo
não oferece nenhum obstáculo aos ensinos espíritas,
que são, ao contrário, uma retomada dos postulados
básicos ensinados pelo Cristo já livres de dogmas
nele enxertados pelas organizações humanas que assumiram
a posição de detentoras do legado de Jesus, como se
Ele houvesse instituído uma organização religiosa
e nomeado seus continuadores. Jesus não fundou nenhuma religião,
os homens é que o fizeram e deram a ela a feição
a que estavam acostumados.
Doutrina
Espírita, o Consolador prometido
Identificamos
na Doutrina Espírita o Consolador prometido, porque ela realiza
o que Jesus prometeu: traz o conhecimento que faz o homem saber
de onde vem, para onde vai e porque está na Terra; ameniza
a dureza das provações, porque acende em cada coração
a lua da esperança; desperta em cada um o sentimento de religiosidade
natural que prescinde de dogmas, templos e hierarquia sacerdotal
para se externar. E, porque nos permite todo esse entendimento,
a Doutrina Espírita nos aproxima do Criador e de seu maior
mensageiro: Jesus. Podemos, pois, os espíritas que nos esforçamos
por praticar a moral cristã nos dizermos espíritas
cristãos.
E
se você, amigo, acredita que Deus tem enviado mensageiros
à Terra para esclarecer o homem, por que acharia que Ele
não pode enviar também os bons Espíritos, para
confundir os orgulhosos e lembrar de maneira mais precisa que somos
todos espíritos em trânsito para a evolução?Quem
ousaria pôr limites ao poder de Deus e determinar o que Ele
deve ou não fazer? Se essas reflexões lhe parecem
lógicas, não se contente só com isso, venha
estudar o Espiritismo e engajar-se nas tarefas de divulgação
desta mensagem, para construirmos juntos um tempo novo de paz. Dalva
Silva Souza.
|
|