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Observações
de Bezerra de Menezes
“O serviço
da unificação em nossas fileiras é urgente,
mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra.
Mas não é assim. É urgente porque define objetivo
a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não
nos compete violentar consciência alguma.
Mantenhamos o propósito
de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível,
estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça
por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra
Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.
A Doutrina Espírita
possui os seus aspectos essênciais em configuração
tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios
de construção e produção. Quem se afeiçoe
à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote
à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem
se consagre à religião que lhe divinize as aspirações,
mas que a base Kardequiana permaneça em tudo e todos, para
que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces
em que se nos levanta a organização.
Nenhuma
hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer
que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar
os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los,
senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então
cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão
os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação
numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações
e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano
inferior e nos afastariam da verdade.
Allan Kardec, nos estudos,
nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de
que nossa fé não se faça hipnose, pela qual
o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas,
acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.
Libertação
da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo
de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade,
sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o
Espiritismo retém bastante força moral para se não
prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação
da luz que se derrama do verbo cristalino do Mestre, dessedentando
e orientando as almas.
Seja Allan Kardec,
não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a
nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado
em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil
forjar o caráter espírita-cristão que o mundo
conturbado espera de nós pela unificação.
Ensinar, mas fazer;
crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.
Falamos em provações
e sofrimentos, mas não dispomos de outros veículos
para assegurar a vitória da verdade e do amor sobre a Terra.
Ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas.
É indispensável
manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos
a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo
religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista
a poderes terrestres transitórios.
Respeito a todas as
criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao
bem comum e instrução do povo, em todas as direções,
sobre as Verdades do espírito, imutáveis, ternas.
Nada que lembre castas,
discriminações, evidências individuais injustificáveis,
privilégios, imunidades, prioridades.
Amor de Jesus sobre
todos, verdade de Kardec para todos.
Em cada templo, o mais
forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido, a luz
para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais
protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja
o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação
do Mentor Divino”. (fonte de pesquisa: Unificação
- Francisco Cândido Xavier - Revista Reformador - dezembro/1975).
Recordemos, na palavra
de Jesus, que “a casa dividida rui”; todavia ninguém
pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união
de forças.
Jesus, meus amigos,
é (...) o exemplo, cuja vida se transformou num Evangelho
de feitos, chamando por nós. Necessário, em razão
disso, aprofundar o pensamento na Obra de Allan Kardec para poder
viver Jesus em toda a plenitude.
Unificação,
sim. União, também. Imprescindível que nos
unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, nos
unamos como irmãos.
A tarefa da unificação
é paulatina; a tarefa da união é imediata,
enquanto a tarefa do trabalho é incessante, porque jamais
terminaremos o serviço, desde que somos servos imperfeitos,
e fazemos apenas à parte que nos está confiada.
Unamo-nos, amemo-nos,
realmente, e dirimamos as nossas dúvidas, retificando as
nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos
de vista, diante da mensagem clara e sublime da Doutrina com que
Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples
discípulos. Como discípulos não podemos ultrapassar
o mestre.
Demo-nos as mãos
e ajudemo-nos; esqueçamos as opiniões contraditórias
para nos recordarmos dos conceitos de identificação,
confiando no tempo, o grande enxugador de lágrimas, que a
tudo corrige.
Não vos conclamamos
a inércia, ao parasitismo, à aceitação
tácita, sem a discussão ou o exame das informações.
Convidamo-vos à verdadeira dinâmica do amor.
Unificação
paulatina, união imediata, trabalho constante...”.
(fonte de pesquisa: Psicofonia de Divaldo P. Franco - Revista Reformador
- fevereiro/1976).
“Solidários,
seremos união. Separados uns dos outros, seremos pontos de
vista. Juntos, alcançaremos a realização de
nossos propósitos. Distanciados entre nós, continuaremos
à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados
pela Divina Providência.” (fonte de pesquisa: Bezerra
de Menezes - Francisco Cândido Xavier - Mensagem de União
- Unificação - novembro-dezembro/1980).
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