| Histórico
Henry
Slade, célebre médium das escritas nas lousas, foi
exibido publicamente na América durante 15 anos.
Em 1876 ele foi
à Inglaterra, passando antes pela Rússia, a pedido
da Sra. Blavatsky e do Coronel Olcowt, escolhido que fora como
médium notável, para fazer experiências sobre
a veracidade dos fenômenos espíritas.
Slade foi submetido
a testes durante várias semanas por uma comissão
de cépticos que em seu relatório terminou por concluir:
"Eram escritas mensagens nas faces internas de duas lousas,
por vezes amarradas e seladas juntas, quando postas sobre uma
mesa, à vista de todos; acima das cabeças de membros
da comissão; presas à parte inferior do tampo da
mesa; ou, ainda, nas mãos de um membro da comissão,
sem que o médium tocasse. Logo
após a sua chegada a Londres, Slade começou a fazer
sessões com imediato sucesso. Não só a escrita
era obtida de modo evidente, sob fiscalização e
com lousas dos próprios assistentes, mas a levitação
de objetos e a materialização de mãos foi
observada sob intensa luz do dia.
A mediunidade
O redator do The
Spiritual Magazine escreveu: "Não hesitamos em dizer
que o Mr. Slade é o mais notável médium dos
tempos modernos". Tais sessões ocorriam durante o
dia, a qualquer hora, em seus aposentos de pensão.
Cobrava 20 shillings
por sessão e preferia que apenas uma pessoa a assistisse.
Assim que o visitante sentava começavam os incidentes e
terminava em cerca de 15 minutos. Com Slade não havia preocupação
com as condições ambientais e a observação
dos fenômenos satisfazia inteiramente aos assistentes.
Com ele tudo era
rápido e preciso, pois os operadores invisíveis
sabiam exatamente o que iam fazer em cada ocasião e o faziam
com presteza e precisão. A primeira sessão de Slade
na Inglaterra foi realizada a 15 de julho de 1876. Em plena luz
do dia o médium e os dois assistentes ocuparam os 3 lados
de uma mesa comum de cerca de 3 pés de lado.
Slade pôs
um pedacinho de lápis, mais ou menos do tamanho de um grão
de trigo, sobre uma ardósia e segurou esta por um canto
com uma das mãos, encostando-a no tampo por baixo da mesa.
Ouvia-se a escrita na lousa e, examinada, verificou-se que uma
curta mensagem fora escrita.
Enquanto isso acontecia,
as 4 mãos dos assistentes e a mão livre de Slade
eram agarradas no centro da mesa. A cadeira vazia no quarto lado
da mesa uma vez pulou no ar, batendo o assento na borda inferior
da mesma. Duas vezes uma mão com a aparência de vida
passou em frente a Mr. Blackburn (eminente espiritista), enquanto
ambas as mãos de Slade eram observadas.
O médium segurou
um acordeon de baixo da mesa e, enquanto se via claramente a outra
mão sobre a mesa, foi tocada a "Home sweet home".
Finalmente os presentes levantaram as mãos cerca de 30
centímetros acima da mesa e esta ergueu-se até,
tocar as suas mãos.
Em uma outra sessão
no mesmo dia uma cadeira ergueu-se cerca de um metro e vinte,
quando ninguém a tocava e, quando Slade tinha uma mão
no espaldar da cadeira de Blackburn, a mesma elevou-se cerca de
meio metro acima do solo. Durante 6 semanas Slade deixou Londres
curiosa e agitada, até que um fato lamentável viria
a interromper seus trabalhos.
No começo
de setembro de 1876 o professor Ray Lankester, com o Dr. Donkin
tiveram duas sessões com Slade e, na segunda, tomando uma
lousa, encontraram-na escrita, quando se pensava que nada tivesse
sido produzido. Ele era absolutamente inexperiente em pesquisas
psíquicas, do contrário saberia que é impossível
dizer o momento exato em que se dá a escrita nessas sessões.
Ocasionalmente uma
folha inteira parecia precipitada num instante, enquanto de outras
vezes o autor ouvia claramente o ruido do lápis, linha
por linha. Para Ray Lankester, entretanto, pareceu um caso típico
de fraude e ele escreveu uma carta a The Times denunciando Slade
e o perseguiu por tomar dinheiro de modo fraudulento.
Foram publicadas
cartas em resposta a Lankester pelo Dr. Alfred Wallace, pelo prof.
Barrett e outros. O Dr. Wallace chamou atenção para
o fato de que o relato do Dr. Lankester daquilo que acontecera
era extremamente diferente do que lhe ocorreu durante a sua visita
ao médium, bem como o registro das experiências de
Serjeant Cox, do Dr. Carter Blake e muitos outros, de modo que
o podia considerar como um notável exemplo da teoria do
Dr. Carpenter, sobre as idéias preconcebidas. Diz ele:
"O professor Lankester foi com a firme convicção
de que tudo que ia assistir era impostura e, assim, pensa que
viu imposturas".
O julgamento
Apesar do testemunho
de muitos admiradores e também de cientistas já
conhecedores da problemática mediúnica, o julgamento
de Slade se deu na Corte de Polícia de Bow Street. A
acusação esteve a cargo de Mr. George Lewis e a
defesa foi feita por Mr. Munton. As provas sobre a autenticidade
da mediunidade de Slade foram dadas peloDr. Alfred Wallace, por
Serjeant Cox, pelo Dr. George Wild e outros, mas só 4 testemunhas
foram permitidas. O magistrado classificou a prova testemunhal
como "esmagadora" dada a evidência dos fenômenos,
mas no julgamento excluiu tudo, exceto a acusação
de Lankester e de seu amigo Dr. Donkin, dizendo que era obrigado
a basear a sua decisão em "interferências deduzidas
dos conhecidos fatos naturais".
Uma declaração
feita pelo conhecido mágico Maskelyne de que a mesa usada
por Slade era preparada para truques, foi desmascarada pelo testemunho
do carpinteiro que a tinha feito. Apesar disso, Slade foi condenado
nos termos da lei contra a vagabundagem a três meses de
pris±o com trabalhos forçados.
Os espíritas
mostraram muita energia na defesa de Slade. Protestos, memoriais
a ministros, Fundos de Defesa, solicitação à
Câmara dos Comuns e até cópias de protesto
foram enviadas à rainha.
Houve apelo e ele
foi solto sob fiança. Slade, cuja saúde ficou seriamente
afetada com a prisão, deixou a Inglaterra dois dias depois.
Passado o episódio, após sessões de êxito
em Haya,Slade foi a Berlim onde despertou o mais vivo interesse.
Dizia-se que ele não sabia alemão, mas apareceram
mensagens nessa língua sobre as lousas e escritas em caracteres
do século XV.
O Berliner Fremdenblatt
publicou o seguinte: "Desde a chegada de Mr. Slade ao Hotel
Kronprinz, uma grande parte do mundo culto de Berlim vem sofrendo
de uma epidemia que podemos chamar de febre espírita".
Slade começou por converter o proprietário do hotel,
usando suas próprias lousas e mesas. O chefe de Polícia
e muitas pessoas eminentes de Berlim testemunharam a veracidade
dos fenômenos espíritas, persuadidas da ausência
de fraudes.
Seguiu-se uma visita
à Dinamarca e em dezembro começaram as históricas
sessões com o professor Zollner, em Leipzig. Um relato
completo encontra-se na obra de Zollner, "Física
Transcendental".
Esperiências
mediúnicas
Nessas experiências
estiveram outros homens de ciência, inclusive William Edward
Weber,
professor de Física; o prof. Scheibner, ilustre matemático;
Gustave Theodore Fechner, professor de Física e eminente
filósofo naturalista, todos perfeitamente convencidos da
realidade dos fatos observados, inclusive de que não havia
impostura ou prestidigitação. Entre os fenômenos
contavamse os nós dados em uma corda sem fim, o rompimento
das cortinas do leito do prof. Zollner, o desaparecimento e imediato
aparecimento de uma pequena mesa, descendo do teto em plena luz,
notando-se a aparente imobilidade de Slade durante essas ocorrências.
Na Rússia,
depois de uma série de êxitos nas sessões
de São Petersburgo, Slade retornou a Londres por alguns
dias e então dirigiu-se à Austrália. Um interessante
relato do seu trabalho nesse último país foi o livro
de James Curtis "The Rustlings in the Golden City".
Então voltou à América. Em 1885 compareceu
perante a Comissão Seybert, em Filadélfia, e em
1887 visitou novamente a Inglaterra sob o nome de Dr. Wilson.
Na maioria de suas sessões Slade demonstrou possuir clarividência
e as mãos materializadas eram coisa familiar.
Na Austrália,
onde as condições psíquicas eram boas, obteve
materializações mais amplas. Slade foi um médium
perseguido pelos detratores do Espiritismo. Com tantos testemunhos
memoráveis, com o excesso de provas materiais de sua honestidade,
mesmo com a ostensividade exagerada dos componentes invisíveis,
demonstrando inequívocas provas de suas existências
e atuações, muitos por pura inveja, despeito ou
mesmo maldade, o atacavam em sua honra. Mas, preconceito e ignorância
são armas usuais no cotidiano dos fanáticos, dos
acomodados e dos presunçosos. Armas frágeis, pois
a ciência com o seu avanço contínuo as derreterão
no ardente fogo da comprovação dos fatos espíritas.
(fonte de pesquisa: www.espiritismogi.com.br).
|