| |
Histórico
Nasceu
em Macaíba, então Arraial, depois cidade do Rio
Grande do Norte a 12 de setembro de 1876. Era magrinha, calada,
de pele clara, um moreno doce à vista como veludo ao tato.
Os pais desencarnaram,
ambos tuberculosos. Antes dela ter completado 3 anos ficou órfã
de mãe e aos 4 anos de pai.
Auta de Souza e
seus quatro irmãos foram criados em Recife no velho sobrado
do Arraial, na grande chácara, pela avó materna,
vulgarmente chamada Dindinha e seu esposo.
Antes dos 12 anos,
foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo,
no bairro da Estância, onde recebeu carinhosa acolhida por
parte das religiosas francesas que o dirigiam e lhe ofereceram
primorosa educação: Literatura, Inglês, Música,
Desenho e aprendeu a dominar também o Francês, o
que lhe permitiu ler no original: Lamartine, Victor Hugo, Chateaubriand,
Fénelon.
De 1888 a 1890,
a jovem Auta estuda, recita, verseja, ajuda as irmãs do
Colégio, aprimora a beleza de sua fé, na leitura
constante do Evangelho. Aos 14 anos, ainda no Educandário
Estância, em 1890, manifestaram-se os primeiros sintomas
da enfermidade que lhe roubou, em plena juventude, o viço
e foi a causa de sua morte, ocorrida na madrugada de 7 de fevereiro
de 1901, quinta-feira à uma hora e quinze minutos, na cidade
de Natal, exatamente com 24 anos, 4 meses e 26 dias de idade.
Literatura
O forte sentimento
religioso e mesmo a doença não impediram de ter
uma vida absolutamente normal em sociedade. A orfandade da Poetisa
ainda criança, o desencarne trágico de seu irmão,
a moléstia contagiosa e a frustração no amor,
esses quatro fatores amalgamados à forte religiosidade
de Auta, levaram-na a compor uma obra poética singular
na História da Literatura Brasileira "Horto",
seu único livro, é um cântico de dor, mas,
também, de fé cristã.
A primeira edição
do Horto saiu do prelo em 20 de Junho de 1900. Em 14 de novembro
de 1936, houve a instalação da Academia Norte-Rio
Grandense de Letras, com a poltrona XX, dedicada a Auta de Souza.
Livre do corpo, totalmente desgastado pela enfermidade, Auta de
Souza, irradiando luz própria, lúcida e gloriosa
alçou vôo em direção à Espiritualidade
Maior. Mas a compaixão que sempre sentira pêlos sofredores
fez com que a poetisa em companhia de outros Espíritos
caridosos, visitasse, constantemente a crosta da terra.
Foi através
de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua identidade,
transmitindo suas poesias enfeixadas em 1932, na primeira edição
do "Parnaso de Além Túmulo", lançado
pela Federação Espírita Brasileira.
Em sua existência
física, Auta de Souza foi a "Ave Cativa" que
cantou seu anseio de liberdade; o coração resignado
que buscou no Cristo o consolo das bem-aventuranças prometidas
aos aflitos da terra. Além do túmulo, é o
pássaro liberto e feliz que, tornado ao ninho dos antigos
infortúnios, vem trazer aos homens a mensagem de bondade
e esperança, o apelo à fé e a caridade, indicando
o rumo certo para a conquista da verdadeira vida. (fonte de pesquisa:
Folha
Cruzada, Ano 4, Nº 6).
|
|